sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Companhia

Sem conseguir adormecer, vou pensando,  e o melhor é anotá-lo aqui, que, de há dez anos para cá,  o cancro tem sido uma presença constante na minha vida. Ainda agora tenho uma outra familiar com um no intestino e não está com cara de quem se vá safar. Começou até um pouco antes, fazia eu ainda o secundário quando o pai removeu uma mancha na pele; uns anos depois calhou-lhe no intestino e desde então nunca mais tenho tido sossego - no fundo,  tudo não passa duma lamúria egoísta, gosto de me fazer de me vítima, era o que uma namorada minha me costumava dizer. Essa ainda continua viva, a I. é que já não, isto é tudo muito injusto, sabia o nome de todas as flores, árvores, ervas, eram o trabalho dela, as paisagens, gostava de dançar, de ir de bicicleta até à Praia Grande, de comer pizzas e gelados, não engordava, absolutamente linda, uns olhos verdes que nos deixavam atarantados, uma boneca de praia, vê-la era o momento alto de todos os que esperavam consulta lá no hospital. Fomos a tantas, primeiro que descobrissem o que era... depois, mandou-me embora, não me quis ver mais, o costume, mal aguentava as dores. Tenho isso tudo apontado, ficou-me bem gravado. Noites inteiras sem dormir, uma agonia que não teve um fim assim tão rápido, dois anos e qualquer coisa, mais, muito mais, isto foi só a fase final, até morrer. Fui sabendo dela, na altura em que vivia por Lisboa fui visitá-la a casa do pai nos fins de semana em que estava sozinho, inventava uma história qualquer para contar à L., porque há dores que não se partilham com ninguém, ninguém, o que temos é de guardar o pouco que de verdadeiro encontramos por aqui, e nada mais. A morte costumava fascinar-me em pequenito. Era a única coisa que queria aprender, se é que me faço entender, também não interessa. Agora, nem por isso. Um amigo turco , antigo companheiro laboral, tem por hábito gozar-me o rosto: - your face... baby face... evil face... the killer is always the baby face... é o inglês dele, não passou quase uma década no exército a ler Shakespeare. De qualquer das maneiras,  começo a dar-lhe razão. Não está assim tão jovem, o meu rosto, está sim cada vez mais feio. 

É o que sobra

A minha felicidade deve ser isto: começar a tradução da primeira oração de Lísias, de chorar a rir, um magnifico exercício de oratória num tribunal ateniense que nos serve para manter a gramática antiga fresca que nem uma alface, enquanto a gata anda à caça de melgas, sem muito sucesso e com alguns imprevistos. Acabou por desistir, e dorme agora o sono dos justos. Dois bocados de chocolate preto e um cigarro - não dispenso o que me está interdito - e está a noite feita. 

Mas, insisto, deveis ler o velho orador - há uma tradução mais ou menos boa, dentro dos limites da língua inglesa, aqui -  confesso que nunca resisto ao momento em que o pobre aponta a morte da mãe como o começo da derrocada do ninho familiar - é que foi no funeral da velha que o outro lhe topou a mulher. E, depois, já se sabe, o problema das casas antigas são as portas, fazem muito barulho de noite. Um assunto que merece estudo.

Política e Sociedade

Atão... pá... não me digas que essa malta... esses pequenos génios... do jornalismo e da ciência política - áreas de grande saber e exigência - e esses tonecas, perdão, essa gente bem informada - e a informação é uma coisa importantíssima, decisiva no progresso da mente humana e mais não sei quê - descobriram agora os segredos da política americana... o sistema... ainda há bocadinho o homem ia rebentar com o cosmos e agora não consegue aguentar a matilha doméstica... isto é só rir. Temos muito que agradecer à degradação, digo, ao alargamento do ensino superior: a produção massiva de imbecis tem pelo menos a vantagem de nos divertir. 

Bom, daqui bocado ainda descobrem que a democracia é corrupta por natureza. Ainda se metem para aí ler Aristóteles ou Cìcero, a pensar um bocadito, a estudar... nahhh.

«I hear you talking in my head»

«See you in my madman's dream»

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

A Tigre


A minha canção favorita daquela terra. Já se vai perceber porquê. O que é cantado é mais ou menos isto, literalmente; com um bocadinho mais de trabalho, apanhava-se melhor a beleza do original:

Έχω μια τίγρη μέσα μου, άγρια λιμασμένη 
tenho uma tigre em mim, animal em ira
π’ όλο με περιμένει 
que me espera todos os dias
κι όλο την καρτερώ, 
e eu espero por ela
τηνε μισώ και με μισεί, 
a ela odeio e ela odeia-me
θέλει να με σκοτώσει, 
quer matar-me
μα ελπίζω να φιλιώσει 
mas espero que se reconcilie
καιρό με τον καιρό
com o tempo com tempo (com o passar dos tempos)

Έχει τα δόντια στην καρδιά, 
Tem os dentes no coração
τα νύχια στο μυαλό μου
 as garras na minha mente
κι εγώ για το καλό μου 
e eu pelo meu bem
για κείνη πολεμώ 
luto por ela
κι όλου του κόσμου τα καλά
 e as coisas belas do mundo inteiro
με κάνει να μισήσω, 
me faz odiar
για να της τραγουδήσω τον πιο βαρύ καημό. 
para que dela eu cante o mais sombrio lamento

Όρη, λαγκάδια και γκρεμνά με σπρώχνει να περάσω, 
Montanhas, vales e precipícios força-me a atravessar
για να την αγκαλιάσω 
para que a abrace
στον πιο τρελό χορό, 
na dança mais insana
κι όταν τις κρύες τις βραδιές θυμάται τα κλουβιά της, 
e quando nas noites frias se recorda das suas jaulas
μου δίνει την προβιά της 
oferece-me a sua pele
για να τηνε φορώ. 
para que eu a vista

Καμιά φορά απ’ το πιοτό πέφτομε μεθυσμένοι, 
Às vezes pela bebida caímos embriagados
σχεδόν αγαπημένοι, 
quase amados
καθείς να κοιμηθεί 
cada um adormece
και μοιάζει ετούτη η σιωπή με λίγο πριν τη μπόρα, 
e parece-se este silêncio um pouco com o do antes da tempestade
σαν τη στερνή την ώρα 
como a última hora
που θα επιτεθεί.
em que irá atacar

De Baku


(No Azerbeijão, mulheres destas são o normal. Confiai em mim que sei do que falo.)

Ao estilo russo

Bater o pézinho

Oração

A decadência


Quase 32, uma pessoa serviu modestamente Estados e companhias globais. Agora, escravo duma gata e duma austríaca que me quer converter às maravilhas do veganismo e da depilação. Depois dos 30, é sempre a descer.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Científico

Eatava aqui a ver, parece que aconteceu uma merda qualquer numa terreola americana, e está toda a gente preocupada com racismo e não sei quê, alt right, alt left, xenofília, não sei. A mim parece-me mal atacar-se assim a ciência. A religião ainda vá. Agora, chamar imbecis a grupos que mais não fazem do que propagar conceitos científicos, está mal. É contra o progresso. Também ninguém sugere que o internamento duma pessoa de esquerda ou de um neo-liberal. Pois. É ciência. 

E hoje é isto








Estivemos a ver isto - hoje recebi a aristocracia aqui - e diz ela:

- És tu.
- Qual deles? 

E riu .

Pai e filha


(Há sempre aquele inconveniente de nem todos podermos ser o melhor jogador de todos os tempos, mas, pronto)

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Triste fado


Não consigo impor respeito nesta casa. Bem que lhe lancei todo o tipo de ameaças, mas não só caçou o cinto como ainda teve o atrevimento de abocanhar o meu dedo. A revolta do escravo foi assim contida, e voltei à minha penúria. Lavar-lhe os pratos e preparar-lhe a carne para amanhã.

E estamos nisto


Eu e as mulheres











Mas com menos estilo

domingo, 13 de agosto de 2017

Educação


Cá está o único livro educativo que uma cria minha abrirá quando chegar aos 5, 6 anos. De resto, aquelas histórias de putas e ladrões do Corto Maltese,das Mil e Uma Noites e da mitologia helénica devem chegar.

Clássicos

Sopa do Pi


Para nós os dois. Assim começo-lhe já a ensinar grego e geometria. Já diz Alfaaaa, Piiii, Fiiiii. Chi é que ainda não. Estranhamente, a gata não foge e a ex não refila. O mundo está um lugar estranho.

E.T.A Hoff...

Há momentos na vida de um homem em que tudo faz mais sentido. A preparação intelectual, física, a experiência em situações de perigo, o autodomínio necessário para encontrar uma brecha de clareza no meio do caos e da ameaça. Tudo isso me preparou para a missão que tenho a cumprir agora e para lidar com a pressão exercida pela chefia hierárquica: tomar conta da gata e dar conta dos telefonemas da minha mãe. Raras vezes na vida me vi numa situação tão delicada.  

A gata escravizou o agregado familiar.

- O teu pai penteia a gata todos os dias de manhã! Ela gosta! Cedo... não te esqueças.  
- Sim, mãe.
- De manhã, cozes o peixe e arranjas a carne, cortas fininha e em bocadinhos, por causa dos dentes dela. (um bocadinho bife de frango, de peru e de preguinhos de vaca, adquiridos no Lidl - a bicha não come os do Pingo Doce, o que força os meus pais a deslocarem-se a dois supermercados cada fim-de-semana.)
-Sim, mãe.
- Tens aqui também estas latinhas (gourmet). Dás-lhe metade de manhã, metade à tarde, e deixas uma para ela comer durante a noite.
-Sim, mãe.
- Muda-lhe a água todos os dias.
- Ela gosta da água fresquinha, bebe bastante de manhã - diz o meu pai.
- Sim, mudo.
- Brinca com ela - continua ele - que o animal está habituado a isso. 

Tínhamos ido de manhã ao Jumbo - agora chamam não sei quê àquela merda - comprar uma máquina de lavar roupa para a minha avó. - Ó Pedro, tratas disso que eu já venho. Aparece-me vinte minutos depois a rir-se e a olhar os bonecos: - Para ela.

- Tens aqui - a minha mãe com a porta do congelador aberta - a carne e o peixe para ela. Uma organização notável, metódica. - À noite tiras, fica a descongelar.
- Sim, mãe.
- Não metas livros em cima dos sofás, que ela às vezes vai para lá dormir. Não abres muito os estores, para ela ter sombra quando está na janela.
- Sim, mãe.
- Tens de passar com os dedos pelo peixe, para veres se tem alguma espinha, que ela não pode comer espinhas, ainda se engasga e depois é um problema.
- Sim, mãe.
- Ligas a ventoninha, que nestes dias está muito calor, e ela gosta de apanhar com o fresco.
- Eiaaaa ... a minha sinha goita de fesquinho... goita goita... - dirigia-se o meu pai à gata, que nesse preciso momento se tinha dignado a juntar-se aos reles mortais com quem é obrigada a partilhar o habitat.
- Está bem, está bem.
- E se ela não comer a lata que lhe deres, dá-lhe outra. Elas às vezes quer as de vitela, às vezes as de frango.
- Sim, mãe.
- Lavas os pratos dela todos os dias, se não, ela não come.
- Sim, mãe.

Partiram esta manhã. Nem sequer dei por eles saírem, tão tranquilo era o meu sono. O sonho, um pouco doloroso, é o que dá escutar certas canções, mas aprendemos, com o tempo, a amansar as dores. Durou pouco. A gata irrompeu-me pelo quarto adentro, a miar que nem uma barítona; salta para a cama e só se cala com umas festas no focinho. Deita-se e por essa altura já eu tinha percebido tudo. Quer ocupar o centro, como no Xadrez. Levanto-me e vou às torradas ao café, não há nada aqui em casa para mim, se quero comer, que vá comer fora, ou que compre eu os mantimentos. Palavra paterna. - És muito esquisito, a gente não comprou nada, nunca gostas de nada.
A gata, entretanto, cansou-se de estar na cama e foi deitar-se ao Sol. Na janela, devidamente preparada para a majestade felina. O pêlo brilha e ronrona quando lhe passo a mão pela barriga. Dizem que é sinal de felicidade e de confiança. São coisas que raramente vejo.



sábado, 12 de agosto de 2017

A contagem

 
Acho isto bonito. Depois faço umas correcções. É bem bonito no original. Muito bonito.

As pessoas da minha vida
Sento-me para contá-las
Os presentes, os distantes
Alguns que passam
Aqueles que vieram e permaneceram
Aqueles que partiraram antes de chegarem
Os que nos são comuns, os que nos são estranhos,
Os mais íntimos

E parecem-me sempre poucos
Ou parecem-me muitos
E é a solidão que é urgente
É isso que me entristece
E parecem-me sempre poucos
Ou parecem-me sempre muitos
Nesta contagem que abre
A minha velha ferida

As pessoas da minha vida
Gostaria de as guardar
Os selvagens, os anjos
E os mais normais.
Os que deixaram marca
Os que a treva levou
Os quaisquer, os casuais
Os mais íntimos

E parecem-me sempre poucos
Ou parecem-me muitos
E é a solidão que é urgente
É isso que me entristece
E parecem-me sempre poucos
Ou parecem-me sempre muitos
Nesta contagem que abre
A minha velha ferida

Homens sós que deixaram poeira
amizades e amores que tomaram as estradas
furtados, escondidos, emprestados em segredo
casuais, ousados, cobardes, assustados
Gente minha e estranhos, radiosos e tristes
em uniões, em casas sempre fechadas à chave.
Felizes, insignificantes, passageiros
Artistas boémios, crianças com gravatas
Os meus inimigos e amigos, pequenos e grandes
que dão com medida, os que desperdiçam
Amores que pareciam ter valor
e outros que escaparam num aperto de mão
Os familiares pobres que servem qualquer coisa já pronta
Os racionais e aqueles que vivem com a emoção
Os racionais e aqueles que vivem com a emoção
Os racionais e aqueles que vivem com a emoção
Aqueles que vivem com a emoção...
Temo... que falhe a contagem...

O meu nome


E agora tenho de encontrar duas palavras para te dizer.
São palavras que encontrei. Não criei uma única.
Isto é injusto para ti.
Quero encontrar alguma coisa que seja só para ti
Que não sirva a estes e àqueles
Não eras como os outros
Não quero vestir-te com roupa usada. Cotovelos e joelhos gastos,
Seria como vestir-te com torções, como  que traísse que, pelo menos,
te vi a chorar.

Porque lhes devo falar? Arderão por aprender que eras o mesmo que esses,
que não eras nada diferente.
Não irei deixá-los que te lembrei pela sua medida. Se não doer em cada momento,
se não os matar não terem vivido contigo, não terem sido para ti isto que eu era para ti,
não serem isto que tu eras para mim, que não te recordem de nenhuma maneira.

Na rua, ao sair, deparei-me com duas crianças. Uma parecia-se contigo,
naquela fotografia com os teus pais junto a um mar de que não te lembravas.

E perguntaram-me: "Que te era?"
Perguntaram a mim o que tu me eras!

Disse-lhes que tu eras o meu nome
Tu eras o meu nome
Disse-lhes que tu eras o meu nome
Tu eras o meu nome

Daqui em diante, podem chamar-me aquilo que bem quiserem

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Já agora, mais uma


Como a canção é gira, fica aqui uma tradução apressada:

Minha branca sorte e minha branca vida
Porque vos escondeis de noite no cinzento?
Vejo no vosso branco a minha fita de cinema
E reconheço o após do que se segue
Se eu tivesse coragem para dizer "vem!"
Agora não teria  fogo no sangue
Se tivesse cor, seria branca a loucura
Se tivesse corpo, seria uma nova mentira
Vê como as mãos volteiam na parede
Como se dançassem com o meu silêncio
E eu que por  tantos anos procurava o verso
Que explicasse a minha vida silenciosa
Escondo o silêncio com a palavra
E ofereço-o a quem quer que me explique
Para que possa escolher o meu futuro
Qual o meu passado que há-de regressar
Nada importante
Apenas vivo em branco...
Minha branca sorte e minha branca vida
Falam bem os meus amigos cheios de cor
O meu problema é o meu exagero
E o que de lento atrase a resposta
Se a palavra tivesse coragem para aparecer
Agora não teria fogo no sangue
Se tivesse cor, o medo seria branco
Se tivesse corpo seria como eu sou
Se te amam, que aprendam a dizê-lo
E se não to dizem, que aprendas a roubá-lo
E se queres ver arder as coisas verdadeiras
Tens de subir ao cimo da chama
E lamentam que não tenhas sentido
E tu lamentas saber antes de todos
E que ninguém tenha sabido
Que o meu silêncio era, durante anos, um baque
É um direito meu apostar algumas coisas
É um direito meu passar [n. como num jogo de cartas ]
E ali onde dizem que nunca fui
Eu não evitei esquecê-lo
E  a quem pergunta porque me vou sempre embora
Com este tom de branco nos olhos
Digo uma frase como me esquivasse
Com uma esperança  de que ele seja como eu...
Nada importante
Apenas vivo em branco...

E ela está cada vez mais bonita

Portugrego

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Surpresa na capital do Império

Lá fomos, eu e a S., a um daqueles restaurantes de luxo na capital, onde em vez de se comer se tem uma experiência, como dizem os labregos urbanos. A coisa saiu por mais de metade dum salário mínimo nacional, o que em si é também uma experiência. Como, inevitavelmente, ao lado da Gastronomia passeia a Coprologia, aguardo pela experiência matinal em que, depois do café com leite e das torradas,  surge, inexorável, a hora de cagar o luxo. Veremos.

Ainda assim, houve espaço para uma agradável surpresa. Numa mesa não muito longe de nós, lambuzavam-se com o pitéu augusto uns campeões da agitação de causas, da defesa intransigente do povo e dos trabalhadores, das conquistas de Abril e de outras aldrabices com que vão ganhando a vida. A Democracia é um mar de oportunidades. Por lá também estava uma jovem deputada, uma também jovem assessora e uma outra puta que não conheço, a molharem a beiça de vinho a 140 euros a garrafa - verifiquei o preço. Eu sei, a inveja é uma coisa muito feia e não têm culpa de eu não ser militante do bloco de esquerda. Um tipo está sempre do lado errado da vida. E, de facto, a minha surpresa era grande, não por vê-los a ajudar a economia nacional, a assegurar emprego, a garantir o pagamento de salários, num género de solidariedade aristotélica com o que poderia ter sido - pois, sem o poleiro, os seus profundíssimos estudos em Sociologia, em Ciência Política ou da Comunicação, terminados fora de tempo e dentro da média, ter-lhes-iam aberto as portas duma brilhante carreira no estrangeiro, na restauração ou a limpar o cu a velhos, como li no outro dia de uma jovem emigrada em Inglaterra, muito feliz com a oportunidade de acompanhar os velhos ingleses até à hora da morte - mas por vê-los neste atraso de vida, nesta terra cujo povo detestam e que não está à altura das causas e das ideias que incendeiam e iluminam a mente do novo escol. Palavra de honra que os imaginava, a esta hora, em Paris ou em Nova Iorque. Isto está pela hora da morte.