domingo, 30 de outubro de 2016

Aborrecimentos

Não deixo de estranhar esta sensação de agradecimento aos 31 anos; ao fim de quase dez anos de "experiências interessantes" nada me tem sabido melhor do que esta rotina que oscila entre o tédio matemático e a tradução de gregos e outros que tais mortos, sem o mínimo protesto pelo corte salarial de que fui vítima - vítima não é o termo, mas não me julgo um grande filólogo...

Há, claro, alguma saudade, por uma questão de rotina, lá está. Tento explicar isto aos meus colegas, mas não entendem. Sabem muitas coisas, muitas mais do que eu (muitas mais é mau português), e alguns até compartilham a paixão por idiomas meio esquisitos - ainda assim ninguém me convencerá a aprender uma língua escandinava -  é apenas esta leve, breve e inofensiva melancolia que lhes escapa. É um problema geográfico, acima de tudo.

A Morte bela


Sono e Morte transportam o cadáver de Sarpédon, o admirável Rei da Lícia; acompanha-os Hermes e uma guarda de honra. 

(Note-se o caduceu e o chapéu do deus e os pés alados; as três feridas de onde jorra o sangue do filho de Zeus; as asas cortantes do Sono e da Morte)

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Ida aos Infernos


a saudade da tua brandura de coração: foi a saudade de ti
que me tirou a vida doce como mel.

Odisseia, XI, 203-204

Nostos


A Canção do Regresso

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Em que te tornaste?


Schöne Welt, wo bist du? – Kehre wieder,
Ach! nur in dem Feenland der Lieder 
lebt noch deine goldne Spur. 
Ausgestorben trauert das Gefilde, 
keine Gottheit zeigt sich meinem Blik, 
Ach! von jenem lebenwarmen Bilde 
blieb nur das Gerippe mir zurück.

Die Götter Griechenlands, Schiller

Pisar a morte com a morte

Χριστὸς ἀνέστη ἐκ νεκρῶν
θανάτῳ θάνατον πατήσας, 
καὶ τοῖς ἐν τοῖς μνήμασι, ζωὴν χαρισάμενος!

sábado, 15 de outubro de 2016

Kazantzakis e o Minotauro

It is difficult to see in this mystery play [Thésée] any hint of the recent European past. Indeed, Kazantzakis explicitly stated that he was striving, by hard work, "to forget the pain of Greece... When will this martyrdom be over?" The play reminds us, rather, of the mythic power underlying early Greek drama and the moment of anagnorisis when mortal man recognises the divinity within himself and his own responsability for his mortality. Instead of a comment on Europe's past, it is a summons to a new future. As Kazantzakis remarked in that same letter, Minos represents "the last fruit of a great civilization" and Theseus "the first flower of a new civilization." In his autobiographical Report to Greco written late in his life he spoke of "the age-old battle between man and bull (whom today we term God).

Theodore Ziolkowski, Minos and the Moderns