sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Pausa até Fevereiro


Mas fica a música para as pessoas se entreterem

E o dia de Novembro


que é tão bonito.

Ah... a milonga

Nunca pergunta

Causa


Um tipo que passa horas nisto não consegue, de facto, arranjar uma namorada nos dias que correm. Mas, santo Deus, que tema este. Aliás, o concerto todo,... f... palavrões é que não.

Da perda


Como sabeis, este adagio não é mais do que a expressão da perda de um filho. 

Aqui é tocada pelo príncipe. A idade já o apanhou, mas, ainda assim, ainda assim...

«Ain't it the final thing»

«Might even raise a little sand»

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

«For what I worshipped stole my love away»

Pronto, acho que encontrei uma namorada


É um bocadinho mais nova do que eu, não tem talento como eu, mas, pronto. Não se pode ter tudo.

δεν ελπίζω τίποτα


Που πάμε; Μη ρωτάς! Ανέβαινε, κατέβαινε. Δεν υπάρχει αρχή, δεν υπάρχει τέλος. Υπάρχει η τωρινή τούτη στιγμή, γιομάτη πίκρα, γιομάτη γλύκα, και τη χαίρουμαι όλη. Καλή είναι η ζωή, καλός ο θάνατος, η Γης στρογγυλή και στερεή, σα στήθος γυναικός στις πολυκάτεχες παλάμες μου. Δίνουμαι σε όλα. Αγαπώ, πονώ, αγωνίζουμαι. Ο κόσμος μου φαντάζει πλατύτερος από το νου, η καρδιά μου ένα μυστήριο σκοτεινό και παντοδύναμο. Αν μπορείς, Ψυχή, ανασηκώσου απάνω από τα πολύβουα κύματα και πιάσε μ' ένα κλωθογύρισμα του ματιού σου όλη τη θάλασσα. Κράτα καλά τα φρένα σου να μη σαλέψουν. Κι ολομεμιάς βυθίσου πάλι στο πέλαγο και ξακλούθα τον αγώνα. Ένα καράβι είναι το σώμα μας και πλέει απάνω σε βαθιογάλαζα νερά. Ποιος είναι ο σκοπός μας; Να ναυαγήσουμε! Γιατί ο Ατλαντικός είναι καταρράχτης, η Νέα Γης υπάρχει μονάχα στην καρδιά του ανθρώπου, και ξαφνικά, σε στρόβιλο βουβό, θα βουλιάξεις στον καταρράχτη του θανάτου και συ κι όλη η γαλέρα του κόσμου. Χρέος σου, ήσυχα, χωρίς ελπίδα, με γενναιότητα, να βάνεις πλώρα κατά την άβυσσο. Και να λες: Τίποτα δεν υπάρχει! Τίποτα δεν υπάρχει! Μήτε ζωή, μήτε θάνατος. Κοιτάζω την ύλη και το νου σα δυο ανύπαρχτα ερωτικά φαντάσματα να κυνηγιούνται, να σμίγουν, να γεννούν και ν΄ αφανίζουνται, και λέω: -"Αυτό θέλω!" Ξέρω τώρα. δεν ελπίζω τίποτα, δε φοβούμαι τίποτα, λυτρώθηκα από το νου κι από την καρδιά, ανέβηκα πιο πάνω, είμαι λεύτερος. Αυτό θέλω. Δε θέλω τίποτα άλλο. Ζητούσα ελευτερία. 

Nikos Kazantzakis, Ascese

Há uma tradução inglesa disponível online - uma belíssima tradução. Mas nada, nada, nada como a língua grega. Aqui fica o passo

Where are we going? Do not ask! Ascend, descend. There is no beginning and no end. Only this present moment exists, full of bitterness, full of sweetness, and I rejoice in it all.
Life is good and death is good; the earth is round and firm in the experienced palms of my hands like the breast of a woman.
I surrender myself to everything. I love, I feel pain, I struggle. The world seems to me wider than the mind, my heart a dark and almighty mystery.
If you can, Spirit, rise up over the roaring waves and take in all the sea with an encircling glance. Hold the mind fast, don't let it be shaken. Then plunge suddenly into the waves once more and continue the struggle.
Our body is a ship that sails on deep blue waters. What is our goal? To be shipwrecked!
Because the Atlantic is a cataract, the new Earth exists only in the heart of man, and suddenly, in a silent whirlpool, you will sink into the cataract of death, you and the whole world's galleon.
Without hope, but with bravery, it is your duty to set your prow calmly toward the abyss. And to say: "Nothing exists!"
Nothing exists! Neither life nor death. I watch mind and matter hunting each other like two nonexistent erotic phantasms - merging, begetting, disappearing - and I say: "This is what I want!"
I know now: I do not hope for anything. I do not fear anything, I have freed myself from both the mind and the heart, I have mounted much higher, I am free. This is what I want. I want nothing more. I have been seeking freedom.

domingo, 8 de janeiro de 2017

«Even Hitler had a girlfriend so why can't I?»


I'm not as bad as Hitler 
But it doesn't mean a thing 
Since they'd rather be with Hitler more than me
I don't see why they'd rather be with Hitler more than me 

Viagens


Assim à pressa, o que a deusa está a cantar é:

Os teus olhos,
Novos em cada momento
Penetram nos meus sonhos abandonados
Intermináveis viagens amorosas
Para as cores radiantes da noite
Qualquer coisa assim.

Kostis Palamas - Uma mágoa

(precisa de ser revista... mas é tão bonito o original que tem de ser partilhado)

Os meus primeiros anos – inesquecíveis – passei-os
Junto à beira do mar,
Lá,  no mar raso e sereno
Lá, no mar esparso e imenso

E de cada vez que diante de mim a primaveril
Vida se reergue,
E vejo  os sonhos e ouço os murmúrios
Dos meus primeiros anos junto à beira do mar,

Lamentas, meu coração, o mesmo lamento de sempre:
Pudesse eu viver uma vez mais
Lá, no mar raso e sereno
Lá, no mar esparso e imenso.  

Ser este o meu destino, esta a minha virtude,
Não reconheci nenhuma outra:
Um mar dentro de mim terno como o lago
E como um oceano sem limites, imenso.

Mas eia! No meu sono o sonho trouxe
Junto de mim uma vez mais
O mar raso e sereno, lá
O mar esparso e imenso, lá.

Mas, céus! Uma mágoa amargava-me
Uma mágoa imensa,
E não me adoçaste, esplêndido e sublime olhar
Do meu primeiro amor, deslumbrante junto à beira do mar.

Que súbita tempestade se  atormentava em mim
E que vórtice,
Que não desististe de sibilar, e que não adormeceste,
Esplêndido e sublime olhar junto à beira do mar.

Uma mágoa que é sem palavra, uma mágoa que é inexplicável
Uma mágoa imensa,     
A mágoa que não é extinta nem dentro do Paraíso
Dos nossos primeiros anos junto à beira do mar.

Tania


Tania, assim se chamava a minha nova camarada da Polónia. De momento tinha uma vida febril, percebi eu, por causa de um empregadeco quarentão que trabalhava num banco e era seu conhecido dos tempos de Berlim. Desejava voltar à sua Berlim e amá-lo, desse por onde desse e a qualquer preço. Para ir ter com ele teria feito tudo.
Ia atrás de agentes teatrais, esses prometedores de contratos, até ao fundo de escadas que cheiravam a mijo. Beliscavam-lhe as coxas, esses malvados, enquanto esperavam respostas que nunca chegavam. Mas só muito vagamente ela reparava nessas manipulações, de tal forma o seu amor longínquo a possuía por inteiro. Em semelhantes condições, não passou uma semana sem ocorrer uma pavorosa catástrofe. Há semanas e até meses que ela abarrotava o Destino com tentações, como um canhão.
A gripe arrebatou-lhe o prodigioso amante. Soubemos da desgraça um sábado à noite. Mal recebeu a notícia arrastou-me, desgrenhada e desvairada, ao assalto da Gare do Norte. Mas isto ainda não era nada; no seu delírio, disse na bilheteira que queria chegar a Berlim a tempo do enterro. Foram precisos dois chefes de estação para a dissuadir, para lhe fazer compreender que era tarde de mais.
No estado em que se encontrava, nem pensar em deixá-la. Aliás, insistia no trágico e mais ainda em mostrá-lo em pleno transe. Que momentos! Não há duas opiniões, os amores contrariados pela miséria e pelas grandes distâncias são como os amores de marinheiro, irrefutáveis e de êxito assegurado. Sem ocasiões para encontros frequentes, começa por não ser possível haver insultos, o que já é alguma coisa ganha. E como a vida não passa de um delírio abarrotado com mentiras, quanto mais longe estivermos e quanto mais o rechearmos de mentiras, mais contentes ficamos, é natural e vulgar. A verdade não é comestível.

Louis-Ferdinand Céline, Viagem ao Fim da Noite

A canção retrata este episódio do mais extraordinário dos livros. Quando tiver mais tempo (e mais vontade) ainda a traduzo.

«Ella a voyagé beaucoup, dans la mer et dans mes reves»

Vestidos brancos...

A Passagem

 

Si more cantando,
si more sonando
la Cetra, o Sampogna,
morire bisogna.
Si muore danzando,
bevendo, mangiando;
con quella carogna
morire bisogna.

Saí da missa a trautear isto

Tradução inglesa:

Companionship

I don't analyze
the problem that is important to me anymore.
None of you is blamed of,
I put it all on myself.
Take me out for a coffee
to get some air.
As if I feel shoot
and I can't wake...
I ask only for company.
I don't want to talk about it.
I don't want any resolutions,
don't look for solutions.
A discreet company,
like no-one is there.
If you want to talk,
do it before you fall apart...
Like it hasn't become yet...
till now. Let's talk about!
We won't find the solution,
such as you want it so much...
Take me out for a drink,
introduce me to your friends.
And for yourselves
keep any advice...
I ask only for company.
I don't want to talk about it.
I don't want any resolutions,
don't look for solutions.
A discreet company,
like no-one is there.
If you want to talk,
do it before you fall apart...

Admirável Mundo Novo

A partir de Verdun, que os alemães baptizam de Batalha do Material (Materialschlacht), o paralelismo instituído pela cavalaria entre as formas do amor e da guerra parece dissolvido.
Sem dúvida que o fim concreto da guerra foi sempre o de forçar a resistência inimiga, destruindo as suas forças armadas. (Forçar a resistência da mulher pela sedução é a paz; pela violação é a guerra). Mas não se destruía por isso a nação que se desejava subjugar: bastava reduzir as suas defesas. Batalha organizada contra um exército profissional, sítio das fortalezas, captura do chefe: um sistema de regras precisas, portanto uma arte, designava o vencedor. E este vencedor triunfava sobre algo vivo, um país ou um povo ainda desejáveis. A intervenção duma técnica desumana que mobiliza todas as forças dum Estado mudou a face da guerra em Verdun.
Porque a partir do momento em que a guerra se torna «total» - e já não apenas militar - a destruição das resistências armadas significa o aniquilamento das forças vivas do inimigo: operários mobilizados nas fábricas, mães que procriam soldados, em suma, todos os «meios de produção», coisas e pessoas equiparadas. A guerra já não é uma violação mas um assassínio do objecto cobiçado e hostil - quer dizer, um acto «total», que destrói esse objecto em vez de se apoderar dele. Verdun, de resto, não foi mais que um prólogo dessa guerra nova, pois que o processo se limitou à destruição metódica dum milhão de soldados, não de civis. Mas esse Kriegspiel permitiu o aperfeiçoamento dum instrumento que, posteriormente, se viria a achar habilitado a operar em campos bem mais vastos, como Londres e Berlim; já não apenas sobre a carne para canhões, mas sobre a carne que fabrica os canhões, o que é evidentemente mais eficaz.
A técnica da morte a grande distância não encontra o seu equilíbrio em nenhuma ética imaginável do amor. É que a guerra escapa ao homem e ao instinto; volta-se contra a própria paixão de que nasceu. E é isso, não a envergadura dos massacres, que é novo na história do mundo.

Denis De Rougemont, O Amor e o Ocidente ~

(eu sei, eu sei, eu sei que não é a primeira vez que trago este livro à blogaria; não será a última)

sábado, 7 de janeiro de 2017

Evas



Nous marcherons ainsi, ne laissant que notre ombre
Sur cette terre ingrate où les morts ont passé ;
Nous nous parlerons d'eux à l'heure où tout est sombre,
Où tu te plais à suivre un chemin effacé,
A rêver, appuyée aux branches incertaines,
Pleurant, comme Diane au bord de ses fontaines,
Ton amour taciturne et toujours menacé.

Vigny, Lettre à Eva

Urge and urge and urge


Urge and urge and urge,
Always the procreant urge of the world.

Out of the dimness opposite equals advance, always substance and increase, always sex,
Always a knit of identity, always distinction, always a breed of life.

To elaborate is no avail, learn'd and unlearn'd feel that it is so.

Sure as the most certain sure, plumb in the uprights, well entretied, braced in the beams,
Stout as a horse, affectionate, haughty, electrical,
I and this mystery here we stand.

Walt Whitman, Songs of Myself, III

A marcha para a frente - terceira canção

Só governei *  a minha mágoa
Só colonizei * o Maio abandonado
Só impregnei * os aromas
Sobre a semeada * com os pássaros de gelo
Alimentei flores amarelas * apascentei as colinas
Incendiei a solidão * com o vermelho!
Eu disse: a ferida da faca não há-de ser * mais profunda do que o grito
E disse: o crime não há-de ser * mais honrado do que o sangue!
A mão dos sismos * a mão das fomes
A mão dos inimigos * a mão dos meus
Irmãos, enlouqueceram  estragaram * arruinaram aniquilaram
Uma e duas * e três vezes
Fui traído e permaneci * no campo sozinho
Conquistado e dizimado * como um castro sozinho
A mensagem que eu carregava - suportei-a sozinho!

Sozinho desesperei * a morte
Sozinho mordi * por entre o Tempo com dentes pétreos
Sozinho comecei * para longe
Viajei como as trom*betas pelos éteres
Estava em meu poder a Nemésis * o ferro e a desonra
Hei-de avançar com a poeira * e com as armas
Eu disse: apenas com a espada * de água fria lutarei 
E disse: apenas com a Pureza * do meu espírito atacarei
Apesar dos sismos * apesar das fomes
Apesar dos inimigos * apesar dos meus
Irmãos, defendi resisti * a alma cresceu, o poder cresceu
Uma e duas * e três vezes
Alicercei a minha casa * na memória sozinho
Ergui e coroei-me * o halo sozinho
O trigo que enobreci * ceifei-o sozinho!

Odysséas Elytis in Axion Esti

(tradução minha)

Gemma



Είναι τα παραπατήματα, οι πλημμέλειες, οι κακουργίες που μας κυκλώνουν άλλοτε σαν σκοτεινές επιφορές και προθέσεις, και άλλοτε σαν άγριοι επιτελεσμοί. Έτσι βλέπει ο ποιητής το πολυκέφαλο θρέμμα που κρύβει μέσα του ο καθένας μας. Βλέπει και στοχάζεται, και απορεί και τρομάζει. Απελπίζεται, και κλαίει και περιγράφει.

Dimitris Liantinis, Gemma (lido pelo próprio)

Notas do Subterrâneo

Vendo as notícias do social português, constato um grande fluxo de amor - estão todos profundamente apaixonados, em novas aventuras eróticas, actores e actrizes e apresentadores e empresários e até "o ex " de Maria Leal, assim apresentado pelo Correio de Manhã, enfrenta processos de burla com o coração destroçado. Porém, já foi ele o actual.

Parece-me, ao ler estas coisas, que devo ser o único por quem ninguém se apaixona profundamente. Deve ser por estar cada vez mais badocha; ou estúpido. Ou ambas as duas.

The mighty arms of Atlas hold the heavens from the earth


Oh, to ride the wind 
To tread the air above the din 
Oh, to laugh aloud 
Dancing as we fought the crowds 

To seek the man whose pointing hand 
The giant step unfolds 
With guidance from the curving path 
That churns up into stone 

If one bell should ring 
In celebration for a king 
So fast the heart should beat 
As proud the head with heavy feet,

Days went by when you and I 
Bathed in eternal summer's glow 
As far away and distant 
Our mutual child did grow 

Oh the sweet refrain 
Soothes the soul and calms the pain 
Oh Albion remains 
Sleeping now to rise again 

Wandering and wandering 
What place to rest the search? 
The mighty arms of Atlas 
Hold the heavens from the earth 

For the mighty arms of Atlas 
Hold the heavens from the earth 
From the earth 

 I know the way

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

«Não me escrevas»




μη μου γράφεις γράμματα
γιατί γράμματα δεν ξέρω
και με πιάνουν κλάματα

domingo, 1 de janeiro de 2017

Fazer contas

.

 (isto é muito bonito; o tipo que lhe escreve as palavras. passou a vida a estudar teatro em Atenas; tem jeito para a coisa)

Tradução inglesa:


The people of my life
I sat and counted
the present, the absent
a few passers-by.
Those that came to stay
those that left before they became,
the shared ones, the strangers,
the very personal ones.

And I always find them few
or I find them a lot
and it's the loneliness that's urgent
that is what saddens me.
And I always find them few
or I find them a lot
in a count that opens up
my old wound.

The people of my life
I'd like to keep...
The wild animals, the angels
and the more normal ones.
Those that left a mark
those that darkness took,
the someones, the random ones
the very personal ones.

And I always find them few
or I find them a lot
and it's the loneliness that's urgent
that is what saddens me.
And I always find them few
or I find them a lot
in a count that opens up
my old wound.

People alone that left dust
friendships and loves that took the road
stolen, hidden, secretly borrowed
random, courageous, cowards , scared ones
my people and strangers, brilliant and sad
in relationships, in homes always locked.
Happy, irrelevant, passengers
Bohemian artists, kids with ties.
My enemies and friends, young and old ones
that give in moderation, that waste.
Loves that seemed of value
and others that ran out in a handshake
Poor relatives that serve pre-prepared 
the logic ones and the ones that live with emotion
the logic ones and the ones that live with emotion
the logic ones and the ones that live with emotion...
The ones that live with emotion....
I'm afraid I'm losing count...