sábado, 7 de janeiro de 2017

A marcha para a frente - terceira canção

Só governei *  a minha mágoa
Só colonizei * o Maio abandonado
Só impregnei * os aromas
Sobre a semeada * com os pássaros de gelo
Alimentei flores amarelas * apascentei as colinas
Incendiei a solidão * com o vermelho!
Eu disse: a ferida da faca não há-de ser * mais profunda do que o grito
E disse: o crime não há-de ser * mais honrado do que o sangue!
A mão dos sismos * a mão das fomes
A mão dos inimigos * a mão dos meus
Irmãos, enlouqueceram  estragaram * arruinaram aniquilaram
Uma e duas * e três vezes
Fui traído e permaneci * no campo sozinho
Conquistado e dizimado * como um castro sozinho
A mensagem que eu carregava - suportei-a sozinho!

Sozinho desesperei * a morte
Sozinho mordi * por entre o Tempo com dentes pétreos
Sozinho comecei * para longe
Viajei como as trom*betas pelos éteres
Estava em meu poder a Nemésis * o ferro e a desonra
Hei-de avançar com a poeira * e com as armas
Eu disse: apenas com a espada * de água fria lutarei 
E disse: apenas com a Pureza * do meu espírito atacarei
Apesar dos sismos * apesar das fomes
Apesar dos inimigos * apesar dos meus
Irmãos, defendi resisti * a alma cresceu, o poder cresceu
Uma e duas * e três vezes
Alicercei a minha casa * na memória sozinho
Ergui e coroei-me * o halo sozinho
O trigo que enobreci * ceifei-o sozinho!

Odysséas Elytis in Axion Esti

(tradução minha)

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