domingo, 8 de janeiro de 2017

Kostis Palamas - Uma mágoa

(precisa de ser revista... mas é tão bonito o original que tem de ser partilhado)

Os meus primeiros anos – inesquecíveis – passei-os
Junto à beira do mar,
Lá,  no mar raso e sereno
Lá, no mar esparso e imenso

E de cada vez que diante de mim a primaveril
Vida se reergue,
E vejo  os sonhos e ouço os murmúrios
Dos meus primeiros anos junto à beira do mar,

Lamentas, meu coração, o mesmo lamento de sempre:
Pudesse eu viver uma vez mais
Lá, no mar raso e sereno
Lá, no mar esparso e imenso.  

Ser este o meu destino, esta a minha virtude,
Não reconheci nenhuma outra:
Um mar dentro de mim terno como o lago
E como um oceano sem limites, imenso.

Mas eia! No meu sono o sonho trouxe
Junto de mim uma vez mais
O mar raso e sereno, lá
O mar esparso e imenso, lá.

Mas, céus! Uma mágoa amargava-me
Uma mágoa imensa,
E não me adoçaste, esplêndido e sublime olhar
Do meu primeiro amor, deslumbrante junto à beira do mar.

Que súbita tempestade se  atormentava em mim
E que vórtice,
Que não desististe de sibilar, e que não adormeceste,
Esplêndido e sublime olhar junto à beira do mar.

Uma mágoa que é sem palavra, uma mágoa que é inexplicável
Uma mágoa imensa,     
A mágoa que não é extinta nem dentro do Paraíso
Dos nossos primeiros anos junto à beira do mar.

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