domingo, 30 de abril de 2017

Apolo vai às putas

O tipo de fêmea que se encontra nos transportes públicos

Umas tesudas a tocar

«But you don't really care for music, do you?»

«Imperialistic house of prayer»

«You've sure lost the glow»

Autumn Leaves

Tristeza camará


O homem de bem não trai o amor e, muito menos, trai a família, os deuses e o solo ancestral.

Luzes e sons


domingo, 23 de abril de 2017

«Queriam o quê? Telenovela?»


O Paraíso, meus filhos, é parecido com o segundo 45 deste fragmento de erudição.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

terça-feira, 18 de abril de 2017

«A sense of loss and longing»

Eros & Thanatos

Illic quidquid ero, semper tua dicar imago:
Traicit et fati litora magnus amor.

Propércio, 1.19, 11-12

No além, seja eu o que for, dir-se-á sempre que eu transporto a tua imagem:
Um grande amor ultrapassa até as fronteiras da morte.

April Dusk

April dusk
It is tragic to be a poet now
And not a lover
Paradised under the mutest bough.

I look through my window and see
The ghost of life flitting bat-winged.
O I am as old as a sage can even be,
O I am as lonely as the first fool kinged.

The horse in his stall turns away
From the hay-filled manger, dreaming of grass
Soft and cool in hollows. Does he neigh
Jealousy-words for John MacGuigan's ass
That never was civilised in stall or trace.

An unmusical ploughboy whistles down the lane
Not worried at all about the fate of Europe.
While I sit here feeling the subtle pain
Of one whose Tree of God has been uprooted.

Patrick Kavanagh 

domingo, 16 de abril de 2017

E de volta a Roma

O meu chapéu tem três bicos

As emoções nobres

Fogo

O Bom Gigante

Evangelho de Mateus (e um bocadinho de Oscar Wilde)

Strieben zu dir

Terra negra

O destino inexorável

Comida da mamã,  sestas com a gata aos pés, passeios e pastéis à beira do Tejo, um ou outro flirt (até fico a falar inglês, meu Deus)... ah!... férias... que acabaram.

Let me tell you

sábado, 15 de abril de 2017

quinta-feira, 13 de abril de 2017

O dever supremo do homem livre

A dupla substância de Cristo foi sempre, para mim, um mistério profundo e impenetrável: o desejo apaixonado dos homens, tão humano, tão sobre-humano, de chegar até Deus - ou, mais exactamente, de voltar a Deus e de se identificarem com Ele. Essa nostalgia, umas vezes tão misteriosa, outras tão real, abriu em mim feridas, grandes feridas.
Desde a juventude que a minha maior angústia, a fonte de todas as minhas alegrias e amarguras, tem sido esta: a luta incessante e impiedosa entre a carne e o espírito.
Dentro de mim, as forças tenebrosas do Demónio, antiquíssimas, tão velhas e mais velhas que o homem; dentro de mim, as forças luminosas de Deus, antiquíssimas, também elas tão velhas e mais velhas que o homem. E a minha alma era campo de batalha onde se afrontavam estes dois exércitos.
Era uma profunda angústia. Amava o meu corpo e não queria vê-lo perder-se; amava a minha alma e não queria vê-la aviltar-se. Lutava por reconciliar as duas forças cósmicas, antagónicas, para lhes fazer sentir que não eram inimigas, que estavam, pelo contrário, associadas, e por fazê-las fruir, e fruir eu próprio com elas, da sua harmonia.
Todo o homem é um homem-Deus, carne e espírito. Eis porque o mistério de Cristo não é, somente, o mistério de um culto particular mas diz respeito a todos os homens. Em cada homem explode a luta de Deus e do homem, inseparável dos seus desejos ansiosos de reconciliação. Na maior parte das vezes, esta luta é inconsciente e dura pouco, uma alma fraca não tem força para resistir por muito tempo à carne; desanima, transforma-se em carne ela própria e a luta acaba. Mas, nos homens responsáveis, que mantém, dia e noite, os olhos fixos no dever supremo, a luta entre a carne e o espírito trava-se sem piedade e pode durar até à morte.
Quanto mais fortes são a alma e a carne, mais fecunda é a luta e mais rica a harmonia final. Deus não ama as almas frágeis e as carnes sem consistência. O espírito pretende lutar com uma carne poderosa, plena de resistência. Ave carnívora que nunca deixa de ter fome, que devora a carne e a faz desaparecer, assimilando-a.
Luta entre carne e espírito, rebelião e resistência, reconciliação e submissão, e, por fim, o objectivo supremo da luta, a união com Deus - eis o caminho ascendente que tomou Cristo, e que Ele nos convida a tomarmos, por nossa vez, seguindo os traços sangrentos dos seus passos.
Como chegarmos, nós também, a esse cume supremo onde, filho primogénito da salvação, chegou Cristo? - eis o mais alto dever do homem que luta.
É preciso, portanto, para podermos segui-lo, que tenhamos um conhecimento profundo da sua luta, que vivamos a sua angústia - que saibamos como ele venceu as armadilhas floridas da terra, como sacrificou as pequenas e grandes alegrias do homem e como ascendeu, de sacrifício em sacrifício, de feito em feito, até ao cimo das suas provações, a Cruz.
Nunca segui com tanto terror a sua marcha sangrenta até ao Gólgota, nunca vivi com uma tão grande intensidade, com tanta compreensão e amor, a Vida e a Paixão de Cristo, como durante os dias e noites em que escrevi A Última Tentação. Ao escrever esta confissão da angústia e da grande esperança dos homens, sentia-me tão emocionado que os meus olhos se embaciavam de lágrimas. Nunca, até então, sentira, com tal doçura, com tal sofrimento, o sangue de Cristo tombar, gota a gota, no meu coração.
Porque Cristo, para subir ao alto do sacrifício, para subir à Cruz, ao cimo da materialidade, a Deus, passou por todas as provas do homem que luta. Todas, e é por isso que o seu sofrimento nos é tão familiar, é por isso que sofremos com ele, é por isso que a sua vitória final nos parece a nossa vitória futura. Tudo o que Cristo tinha de profundamente humano nos ajuda a compreendê-l'O, a amar e a seguir a sua Paixão, como se fosse a nossa. Se não houvesse Nele o calor deste elemento humano, nunca poderia ter tocado os nossos corações, tão profunda e suavemente, nunca poderia ter-se tornado um modelo para as nossas vidas. Lutamos, vemo-l'O lutar como nós e tomamos coragem. Compreendemos que não estamos sós no Mundo e que Ele luta ao nosso lado
Cada momento da vida de Cristo é uma luta e uma vitória. Ele triunfou do irresistível encanto das simples alegrias humanas, ele triunfou da tentação; transformou, sem cessar, a carne em espírito, e prosseguiu a sua ascensão; chegou ao alto do Gólgota e subiu à Cruz.
Mas o seu combate não acabou ali; na Cruz esperava-O outra tentação, a Última Tentação. Num clarão rápido, o espírito do Mal colocou perante os olhos desfalecidos do Crucificado a visão pérfida de uma vida pacífica e feliz: enveredara - foi a ilusão que teve - pelo caminho uniforme e fácil do homem, casara, tivera filhos, os homens amavam-n'O e estimavam-n'O; e agora, já velho, estava sentado em frente da sua casa, lembrando-se das paixões da juventude e sorrindo, satisfeito. Como procedera bem! Que sensatez, a de ter seguido o caminho dos homens, e que loucura, se tivesse querido salvar o Mundo! Que alegria, o ter escapado aos sofrimentos, ao martírio e à Cruz! 
Foi esta a última tentação que, pelo espaço de um relâmpago, perturbou os derradeiros instantes do Salvador.
Mas, bruscamente, Jesus sacudiu a cabeça, abriu os olhos e viu claro: não, não, não tinha traído, louvado seja Deus, não havia desertado, tinha cumprido a missão que Deus lhe confiara, não se casara, não vivera feliz, chegara ao cimo do sacrifício e estava pregado na Cruz.
Fechou os olhos, satisfeito. Então, ouviu-se o grito triunfal: Tudo se cumpriu!
Sim, cumpri o meu dever, fui crucificado, não cedi à tentação.
Foi para dar um exemplo supremo ao homem que luta, para lhe mostrar que não deve recear o sofrimento, a tentação e a morte, porque tudo isso pode ser vencido e foi já vencido, que este livro foi escrito. Cristo sofreu e, após o seu sofrimento, foi santificado; a tentação lutou, até ao último instante, por conseguir vencê-l'O, e a tentação foi vencida; Cristo foi crucificado e, então, também a morte foi vencida.
Cada obstáculo à sua marcha tornou-se ocasião e medida de uma vitória. Temos, agora, um exemplo perante nós, que nos abre o caminho e nos dá coragem.
Este livro não é uma biografia, é a confissão de um homem que luta. Publicando-o, cumpro o meu dever.
O dever de um homem que se bateu muitas vezes, que, durante a sua vida, foi muitas vezes atormentado e teve muita esperança. Estou certo de que todo o homem livre, ao ler este livro cheio de amor, amará Cristo mais do que nunca, melhor do que nunca.

Nikos Kazantzakis, A Última Tentação de Cristo

Neste preciso momento, eu

Kiss and tell

Não é todos os dias que dizem a um cidadão à beira dos 32 anos e com 5 cirurgias no lombo: pareces um peluche.

Fiquei com um número. E a mulher, foda-se, aquilo não é do meu campeonato,  mas, enfim, faço como aqueles gajos que vão treinar ao Real Madrid uma vez e fazem a carreira em divisões inferiores. Dá-se o litro e aquela ninguém nos tira.

Eu só estava a escolher um pacote de muesli para misturar com o iogurte de manhã, como o instrutor manda. Bem dita a hora em que cortei com o pão em casa.




quarta-feira, 12 de abril de 2017

terça-feira, 11 de abril de 2017

My plums

Da queda das Repúblicas

A extensão do Império de Roma trouxe consigo um conjunto de problemas de carácter económico e social perfeitamente expectáveis a olhos que não os dos romanos da época. Há sempre, é certo, alguma dificuldade em trazer para o campo da análise os sentimentos de vaidade, de aspiração à glória à honra dos homens das sociedades antigas, ou até mesmo os mais simples desejos de vingança pessoal. Numa cidade como Roma, onde os cargos públicos eram um espectáculo público, desde a fanfarra que marcava a campanha eleitoral aos cortejos e adereços simbólicos que acompanhavam os magistrados eleitos pelas ruas da cidade afora, tais sentimentos não podem ser desprezados, sendo, por vezes, o único fio condutor da acção dos homens públicos. Em Roma – como, arriscamos, em todo o lado – uma oligarquia plutocrata dominava os assuntos da cidade, um núcleo de famílias ricas e influentes que ao longo do tempo se tinha consolidado no poder. E assim como as elites endinheiradas contemporâneas lutam pelo prestígio no círculo oligárquico por meio de jantares e experiências exóticas, a extravagância da elite romana era a eleição, a validação pelo povo romano da sua superioridade em relação aos demais. E enquanto a realidade do Império não perturbou o curso normal das coisas, a tradição foi sempre o que era, o Senado pôde impor a sua vontade alicerçado unicamente na sua auctoritas, e as instituições da República estavam a salvo de todo o perigo. A República permanece inamovível e um senador habitua-se. Mesmo a acção dos Gracos mais não fez do que criar alguma agitação inútil, um questionamento fútil do funcionamento e dos poderes da República sem qualquer tipo de consequência de monta. É verdade que já a miséria e a fome atacavam uma larga fatia da população, e o problema era suficientemente grave para que desse origem à lex frumentária de Caio Craco, uma lei que nasceu mais da necessidade de conquistar apoios políticos do que da bondade do tribuno. Nunca são os famintos e os miseráveis que constituem ameaça às estruturas políticas e Graco acabou por ir morrer longe e com ele a sua gens.  O perigo para o Senado e para a ordem das coisas viria de um outro lado.
Quando as tribos nómadas lançaram os seus ataques no norte da Itália e, ao mesmo tempo, Jugurta atacava a Sul do território, apoderando-se das principais fontes de cereais do Império Romano, foi preciso que um novo rico quebrasse o atavismo e a paralisia das elites romanas, e aparecesse como homem providencial de Roma. O Império que tinha causado tantos pobres não sabia o que fazer com estes novos miseráveis que se acumulavam pelas ruas de Roma, impedidos de trabalhar e de combater. Pode parecer-nos verdadeiramente absurdo não ter sido o Senado que tenha proposto em primeiro lugar a reforma militar que Mário viria a executar, mas não nos esqueçamos de que esta nova vaga indigentes podia ainda votar, fornecendo assim um verdadeiro maná para a caridade pública das elites romanas em época de eleições. Poucos espectáculos seriam mais reveladores da enorme distância que separava as elites da populaça indigente e esfomeada do que as campanhas eleitorais, em que a plutocracia vigente oferecia às massas todo o género de banquetes, de espectáculos, jogos, lutas de gladiadores, matando a fome a uns, o tédio a outros, satisfazendo as suas clientelas particulares de cada um, e garantindo para si o bom nome na cidade. Só que também o Império quando nasce é para todos: uma elite altamente endividada, que preferia viver de empréstimos usurários a vender o seu património, haveria de se arruinar cada vez mais nestes passatempos a que estava profundamente arreigada, incapaz de compreender que o prestígio se conquistava, dali em diante, não só na arena política de Roma, mas também nos campos de batalha longínquos e desconhecidos da maioria.
A vastidão do Império não colocou só novos desafios no campo económico. Mais importante do que isso, colocou Roma mais próxima de novos inimigos, e as legiões mais longe de casa. Mário triunfa contra Jugurta com um exército de desempregados do Império, a quem dará de recompensa terras no Norte fértil de África. Não há banquete ou luta de gladiadores oferecida por um candidato à magistratura, que possa rivalizar com a esperança de uma vida nova dada assim por um líder militar.  Filho dum antigo soldado do exército português, pude assistir dum ponto de vista privilegiado, em inúmeros encontros de confraternização entre membros das companhias de caçadores da Guerra do Ultramar,  à manifestação mais pura dos laços indissolúveis de lealdade que se formam entre guerreiros. Mais do que isso, ao mesmo tempo que dedicam um desprezo profundo pela classe política, independentemente do regime, veneram os seus comandantes no terreno, que, já mortos, são referidos em termos quase sagrados.  Não é difícil transportarmos este quadro mental para as legiões do século I a.C. As circunstâncias mudam, mas a essência persiste. Anos e anos longe da pátria, em paisagens inóspitas e desconhecidas, tendo como únicas companhias os irmãos de armas, o medo e a morte, moldam o carácter dos homens e os vínculos invisíveis que nascem nos teatros da guerra são fortíssimos. Além disso, o soldado romano tinha melhor memória. Um século parece-nos muito tempo, mas a percepção do tempo para os antigos não seria exactamente a mesma que a nossa e a Batalha de Canas estaria ainda bem presente no espírito dos romanos, e, em particular, as acções do Senado, que não só virou as coisas aos sobreviventes, como também os estigmatizou. (...) E em pouco tempo, as tropas romanas olhariam para os seus comandantes e não para o Senado para garantirem o seu futuro.[1]
Apesar de tudo, o exército não deixava de ser um espelho fiel da sociedade romana. Os mais altos altos cargos eram, naturalmente, exercidos por homens recrutados do Senado e da classe dos Cavaleiros, e o sistema de clientelas, que na vida civil era praticamente um Estado paralelo, não deixava de vigorar em força na vida militar. Plínio conta como arranjou umas cartas de recomendação para amigos e lhes deu uma mãozinha na ascensão hierárquica - o normal.[2] Mais tarde, Pompeio e César haverão de financiar do seu bolso exércitos recrutados a partir das suas redes clientelares, agindo como se as instituições ou os magistrados da República nem sequer existissem[3].  Sula, quando marchou sob Roma pela última vez, tinha contra si a sua origem, uma família de antepassados ilustres, que era necessária honrar, um espírito da velha nobreza que agora se mascarava na ideologia dos optimates contra a dos populares. Em vez de governar como um monarca e tirar partido das suas fiéis legiões, procura reforçar os poderes do Senado (não sem antes o higienizar e eliminar todos os inimigos), duplicando-lhe o número de senadores, abolindo os censores e reduzindo os tribunos da plebe a meros espantalhos da República. Se a acção de Sula foi, na verdade, a fundação duma Nova República, isso só será relevante dum ponto vista meramente formal. A maioria dos novos senadores de Sula servia para pouco e aspirava a quase nada[4]; nos labirintos políticos do Senado, gente inexperiente seria facilmente capturada e manipulada pela velha aristocracia; num Estado como o de Roma, sem uma lei fundamental, sem uma Constituição escrita, as ideias tendem a morrer com os homens que as geraram; e, na verdade, o Senado e as velhas estruturas mentais e políticas, perante a dimensão das ameaças interna e externas, pouco podiam fazer para manter a sua autoridade, habituados que estavam a princípios e meios que lhes pareciam eternos e que tinham resultado sempre nos mesmos fins, não podiam oferecer soluções para problemas que nunca tinham equacionado.
            O mais que o Senado podia fazer era jogar a sua sorte no carácter de indivíduos excepcionais como Pompeio ou César. Quando confia ao primeiro plenos poderes para combater a pirataria, não espera que este use as suas vinte legiões, quinhentas naus e cento e vinte mil soldados[5] para se fazer coroar Imperador. Mas, ao fazê-lo, confessava involuntariamente a sua incapacidade, e punha em causa a sua própria razão para existir. Uma coisa eram os mexericos e as rivalidades do Forum, outra bem diferente eram milhares de inimigos no limiar das fronteiras romanas. Exemplo claro dessa incapacidade dos senadores pensarem para lá da vaidade e do passado são as Catilinárias de Cícero, verdadeiras odes à auctoritas do Senado Romano, à censura da falência, à humilhação total do adversário. Mas não mais do que isso. O próprio Cícero haveria de experimentar na pele que estes pontos de honra da elite de pouco valiam ali, quando um nobre de nascimento, Clódio, no andamento duma historieta vulgar, se faz adoptar por uma família plebeia de modo a ser eleito tribuno, cargo entretanto revestido de nova dignidade, e perseguir Cícero ao ponto deste procurar refúgio junto de César, um inimigo mais ou menos declarado do Senado Romano. A história não acabou bem, nem para Cícero, nem para o Senado.
O fim da República não seria o tempo onde um Políbio hesitasse sobre onde e em quem residia o poder real. Os poderes que de um modo ou de outro estavam dispersos, foram, a pouco e pouco, confluindo na direcção do líder militar, a figura central da vida duma República não só atacada por forças exteriores, como enfraquecida por uma elite endividada e necessitada das conquistas militares, dos saques e tributos devidos pelas potências derrotadas; uma elite incapaz de lidar com os problemas da nova cidadania e as consequências nefastas que esta teve no hábito eleitoral dos romanos, com o alastramento da pobreza, que muitas vezes procurou tirar proveito da carestia que assolava o território romano, e que foi incapaz de dar à República os homens excepcionais capazes de dar uma resposta satisfatória aos desafios violentos que o povo romano enfrentava. O Senado, muitas vezes refém de rivalidades entre famílias, foi a pouco a pouco perdendo a dignidade e a legitimidade de outros tempos. Impotente perante as novas realidades externas, restou-lhe entregar a sua autoridade em condições excepcionais aos grandes generais, que, por fim, acabariam eles próprios por assumir o poder. Porém, e aqui reside alguma ironia, se estas acções do Senado contribuíram, de forma involuntária, para uma nova Ordem onde o Senado tem um papel secundário, provavelmente, sem elas, a própria Roma teria desaparecido.
Na verdade, bem que os senadores de Roma poderia ter dito na hora do fim da República, naquele estilo teatral tão ao gosto deles: - As coisas são que são. Roubámos, especulámos, mentimos, traímos, enriquecemos, falimos e defraudámos, porque não sabíamos fazer outra coisa. Mas fizemo-lo com a melhor das intenções.

Ressuscitar

Por vezes, acontece-me sonhar com mortos, só com mortos. É um pouco estranho. Esta noite, estavam o Vitor Silva Tavares e o senhor André a venderem-me livros no Saldanha. Discutimos preços, edições,  traduções, nada de muito profundo. Quem me irritava era a L. Estava quase a sair, queria ir jantar, onde é que eu estava, que não me atrasasse, que não gastasse dinheiro. Continuei a tagarelar sem lhe prestar atenção, era sempre assim, e no próximo ponto do sonho já estava ela longe, furiosa, uma birra homérica devastadora, a que só Apolo poderia pôr cobro. E eu não me pareço muito com o deus da música e da peste. Então,  ali, estava não sei onde, que haveria de regressar, sim, mas deixaria o carro lá para cima e jantaria em casa de uma amiga, que me desenrascasse, que conseguisse um sítio para dormir, etc., etc., etc... até acordar. Continua na mesma. Também eu.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Dança do Amor Divino

Envoi



Go, dumb-born book,
Tell her that sang me once that song of Lawes:
Hadst thou but song
As thou hast subjects known,
Then were there cause in thee that should condone
Even my faults that heavy upon me lie
And build her glories their longevity.

Tell her that sheds
Such treasure in the air,
Recking naught else but that her graces give
Life to the moment,
I would bid them live
As roses might, in magic amber laid,
Red overwrought with orange and all made
One substance and one colour
Braving time.

Tell her that goes
With song upon her lips
But sings not out the song, nor knows
The maker of it, some other mouth,
May be as fair as hers,
Might, in new ages, gain her worshippers,
When our two dusts with Waller’s shall be laid,
Siftings on siftings in oblivion,
Till change hath broken down
All things save Beauty alone.

εγώ νενίκηκα τον κόσμον

sábado, 8 de abril de 2017

Semana Santa


Χριστός Ανέστη εκ νεκρών

E que Deus esteja convosco

terça-feira, 4 de abril de 2017

Um conselho do exílio

Enquanto vives, resplandece
Não sofras em tudo
Que pouca é a vida,
O fim, o tempo exige.

[Ὅσον ζῇς, φαίνου,
μηδὲν ὅλως σὺ λυποῦ· 
πρὸς ὀλίγον ἐστὶ τὸ ζῆν, 
τὸ τέλος ὁ xρόνος ἀπαιτεῖ.]